Interessante esse vídeo promocional do novo Read it Later, agora batizado de Pocket. Ele mostra bem como a sociabilidade urbana mudou nos últimos 5 anos.

Andamos por aí com diversos aparelhos nas mãos, dividindo nossa atenção entre eles e o ambiente à volta. Continuamos encontrando com pessoas no caminho. Mas elas também estão parcialmente absortas em suas comunicações digitais.

Quase que como fantasmas robóticos, cobertos de fios, andando desengonçadamente, focadas num mundo particular. Dentro do aparelho, este pode ser vastíssimo. Fora, parece manter apenas o espaço do corpo. Que, aliás, tropeça e se vira para manter certos padrões de sociabilidade antiga — como, por exemplo, não encochar o próximo da fila, não ser atropelado por carros, essas coisas.

Antigamente, privacidade era aquilo que pensávamos ter quando nos trancávamos no quarto ou num carro. Precisávamos de paredes físicas para isolar o ambiente dito externo. Agora, o corpo é a fronteira. Ou melhor: a atenção é que comanda a privacidade. Porque, com um aparelho na mão, diminuímos a percepção consciente do ambiente em volta e criamos um universo paralelo.

Há pouquíssimo tempo, nas grandes cidades, estranhávamos quando alguém parecia falar sozinho (quando, na verdade, conversava ao celular). Agora, já aceitamos perfeitamente várias pessoas fazendo o mesmo. Em certos casos, até preferimos que falem sozinhas, em vez de falar conosco.

Há 30 anos, quem diria que um pedaço de plástico poderia conter diversos universos — ou círculos, ou grupos? Hoje, quem aceitaria viver num só universo de cada vez, limitado pela forma como o corpo lida com o ambiente?